Discordar e comprometer-se

A complexidade cresce, os acontecimentos fora do nosso controle aumentam, a impaciência impera. Os clientes pressionam, exigem mais.

Você é CEO, acionista, um executivo senior. Oportunidades surgem.

O que faço? Embarco, ou gasto mais dois meses analisando?

Oportunidades surgem – e se vão.

O modelo propósito – visão – missão – objetivos – estratégia – planos – metas – responsáveis – recursos – alinhamento – cascateamento de metas e planos, etc é confortável, congruente, fácil de entender.

E é lento, pesado, frequentemente tardio.

Precisamos de mais velocidade, mais competência, mais potência intelectual. Estar alinhado, centrado, com todos os dados e fatos analisados, todos na mesma página, toma muito tempo, enquanto que o vizinho de porta já fez e já abocanhou o pitéu.

Muitas decisões são reversíveis e só podem ser verificadas na prática. Vamos decidir mais cedo?

Entendo o que dizes, faz sentido, mas acho melhor fazer diferente. Vamos concordar que discordamos e nos comprometer com essa outra forma de avançar?

Aceitável?

Qual a sua tolerância com esse mundo cheio de oportunidades, demandante, imprevisível, veloz, controverso, em que vivemos?

Você confia no seu taco, no da sua empresa? E a cultura e valores te dão permissão? Você precisa de permissão?

Ver Day 1 & Day 2 e Jeff, what does Day 2 look like?.

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Contabilidade criativa, KPIs açucarados, remuneração e desempenho empresarial

Salta aos olhos o crescente uso da “contabilidade criativa” para criar a aparência de desempenho superior  por players dos mais diversos setores.

O fenômeno é global.

Há empresas de porte, mundo afora, com pacotes de remuneração por “resultados gerenciais”, que incentivam ações de gestão contrárias aos interesses de seus acionistas e investidores.

Na Inglaterra, a nova Primeira Ministra escolheu o tema como prioridade, no esteio do Brexit. O tema frequenta a imprensa especializada e reuniões de conselho.

Defendo uso limitadíssimo de indicadores gerenciais. Recomendamos o uso de Indicadores baseados nos conceitos GAAP — generally accepted accounting principles.

O caso do Wells Fargo, banco de varejo Americano de destaque, ilustra as consequências desta prática.

O artigo How accounting tricks distort the equity market resume o tema. Fonte: Valuewalk

Programas de remuneração, por definição, presumem alinhamento com os interesses dos investidores. O uso de “indicadores gerenciais” tem ferido esse princípio. Nossa posição é clara e inequívoca.

Este artigo, ligeiramente modificado, foi originalmente publicado no linkedin.

E agora, José? What is next?

E agora, José? What is next?

Estamos trabalhando mais horas, a tecnologia está mudando o mundo, “software is eating the world“, blá blá blá.

A produtividade da economia não aumenta.

Nossa “missão e visão” empolgam, nossos objetivos são crystal clear, executamos, com sucesso (!), nosso projeto de “convergência estratégica”, com nosso consultor “du jour”.

A produtividade da economia não aumenta.

Redesenhamos processos, nossa gestão é “participativa” (bah!), fizemos assessments e tropeçamos em líderes high potential nos corredores.

Os números teimam em apontar para baixo (!).

Dirá a vizinha gorda e patusca do Nelson Rodrigues, aboletada da sacada:

“Ora, meu jovem, no Brasil é óbvio o que acontece. Não tem lido os jornais? Perdestes a coluna do Nelson no Jornal dos Sports?”

OK. Mas … e lá com os irmãos do Norte – Bretanha, Germânia, Francônia, Japão, US of A, para citar os mais votados?

A produtividade continua estagnada.

Até juros negativos (!) já estão praticando e nada. O artigo discute o assunto. Recomendo.


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No Brasil, melhoramos. OK – um “tiquitito”.

Há – evidentemente – muito a fazer e não há tempo a perder. Temos responsabilidades com nossas famílias e com as gerações futuras. Há um país por reconstruir, cheio de oportunidades, que espera, exige, que façamos o que é preciso.

Modelos de negócios, novas tecnologias e emprego –

Consultores de outplacement, acadêmicos e a mídia têm discutido a “robotização” da economia e especulado sobre a potencial destruição em massa de ‘postos de trabalho’ mundo a fora.

Se algo há a discutir, é a revolução de setores econômicos inteiros, mundialmente, via a introdução de novos modelos de negócios, somada à aplicação de tecnologia da informação, novas tecnologias de produção e de produtos. Essa tendência é inevitável, a observar o que acontece no Brasil e no mundo e imaginar que há como evitá-la, ou encontrar fórmulas fáceis de ‘amainar’ suas consequências, não é prático. Há, sim, que assumir o protagonismo no assunto, empresas e profissionais.

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Ilustremos a questão com o caso da Intel. A explosão dos dispositivo móveis e o resultante declínio das vendas de PCs atingiu a Intel profundamente, obrigando-a a, no ano do falecimento de seu lendário CEO, Andy Grove, dispensar 11% de sua força de trabalho – 12.000 pessoas, como indica matéria no New York Times de 19/04/2016.

Outro caso é o do setor de varejo, especificamente, das redes de varejo (department stores). Para retomarem a produtividade de 10 anos atrás, as department stores Americanas precisam fechar 20% das lojas existentes, segundo estudo publicado pela Green Street Advisors. O estudo indica as seguintes percentuais de fechamento de lojas por varejista: JC Penney – 31% (!), Sears – 43% (!), Macy’s – 9%, Dillard’s – 20% (!), Bon-Ton – 15%, Nordstrom 25% (!).

O caso Intel, como o da Sears,  não é um caso de ‘robotização’, mas é mais frequente – disrupção via novos modelos de negócios, novas tecnologias e novos produtos e serviços, com impacto sobre o trabalho.

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Brasil, a retomada do crescimento – a escolha da equipe

Nesta semana, avançamos na solução do imbroglio político em que nos envolvemos no Brasil. A Câmara dos Deputados manifestou-se e o Senado, nas próximas semanas, também o fará. Com isso, seja qual for a solução do Senado, uma nova equipe de governo assumirá a gestão dos negócios do Brasil.

O(A) Presidente da República está, neste momento, trabalhando em várias frentes. Uma delas é a escolha da equipe com quem governará o país nos próximos 30 meses. Tarefa nada trivial.

Como fazer a escolha da equipe?

Há a dimensão política do processo, fruto do presidencialismo de coalização que caracteriza nosso sistema político, que envolve dar representatividade a aliados que garantirão maioria no Congresso. E, claro, há que escolher um time de MVPs – most valuable players – que estejam à altura dos desafios de curto e médio prazo que o Brasil tem a enfrentar.

Critérios de escolha

É necessário que integrantes da equipe preencham os seguintes critérios:

  1. Necessidades decorrentes do presidencialismo de coalizão;
  2. Atributos de honradez, integridade, etc;
  3. Conhecimento, em profundidade, dos desafios que o país tem no curto e médio prazos;
  4. Capacidade para resolver os desafios.
    • Competência para diagnosticar em detalhe, desenhar soluções que resolvam os problemas concretos do país, planejar a implantação;
    • Capacidade para arregimentar, com rapidez, quadros competentes para executar a implantação;
    • Capacidade de gerir processos (projetos …) complexos de solução de problemas complexos;
  5. Capacidade de mobilizar
    • Capacidade de mobilizar empresários;
    • Capacidade de mobilizar os Executivos Estaduais e Municipais;
    • Capacidade de mobilizar o poder Legislativo;
    • Capacidade de celebrar, com outros países, acordos comerciais bilaterais e/ou multilaterais;
    • Capacidade de atrair investimentos externos;
    • Capacidade de mobilizar a sociedade.

Neste post, convido à análise dos itens 3 e 4 acima – conhecimento em profundidade dos desafios e capacidade de resolvê-los.

Os desafios

Recente matéria publicada no Economist resume os sintomas que estamos a experimentar  – dívida de 80% do PIB, inflação de 10% ao ano, desemprego de 10%, crescimento da massa salarial do Estado em relação à massa salarial do setor privado (!) e PIB negativo em 6%.

Diria a vizinha, gorda e patusca, do Nelson Rodrigues (!) –

“Ora, meu jovem, isso todos já sabemos.”

Exatamente! O(A) Presidente da República deve escolher Ministros que definam os desafios em profundidade, com rapidez e clareza.

  • O que são – tamanho, geografia, gravidade, impacto econômico, impacto social, esfera (federal, estadual, municipal);
  • Relações de causa e efeito – o que dá causa, quem dá causa, quem é atingido, em que extensão, por quanto tempo, gravidade, poderes envolvidos na solução (Executivo, Legislativo, Judiciário),

Convenhamos, são desafios nada triviais, de grande complexidade, cuja solução é premente. Há que ter prática e habilidade para definí-los e resolvê-los. Há que ser muito bom em escolher pessoas capazes.

Formulemos, pois, as perguntas, pela primeira vez –

Quem você escolheria? Quantos você escolheria? Como você organizaria o time? Como presidente, que papel reservaria para si?

Processo políticoO que há a fazer no curto e médio prazos

Diagnosticar é fundamental, executar é vital. A situação é grave, há pressa. Quem chega, tem que concluir a etapa de diagnóstico e planejamento com rapidez e passar à execução, sem delongas.

Imaginemos, portanto, que o diagnóstico detalhado está concluído, com rapidez. O que há para fazer? O que os MVPs terão que executar, para que o país avance?

O Brasil requer ação aguda, rápida e continuada em “três” grandes blocos:

  • “Balanço” do Brasil
  • “Lucros e Perdas” do Brasil
  • “Gestão de caixa” do Brasil

“Balanço” do Brasil

Reestruturação de ativos

  • Privatizar ativos, para que sejam melhor geridos pela iniciativa privada –  federais, estaduais e municipais.
  • Eliminar ativos improdutivos – prédios do Executivo Federal que existem no RJ e SP, por exemplo.
  • Vender ativos para gerar caixa e reduzir passivos – vender os anéis, para preservar os dedos – federais, estaduais e municipais.
  • Gerir projetos existentes com competência, para que o ativo produza o necessário.
  • Interromper projetos que “não cabem no caixa”.
  • Aplicar a lei de responsabilidade fiscal com mão férrea.
  • Intensificar a mão de ferro do compliance no Estado e nos três poderes – níveis Federal, Estadual, Municipal.
  • Atrair investidores nacionais e externos, para participar da reestruturação dos ativos e dos novos investimentos exigidos pelo “plano”.

Reestruturação dos passivos

  • Alongar a dívida.
  • Reduzir o preço da dívida (juros).
  • Eliminar ações que dêem causa a aumento da dívida – bolsa empresário, gestão desastrada de estatais, criação de despesas novas sem correspondente receita para pagá-las, projetos cujo investimento não cabe no caixa.
  • Eliminar “subsídios” – acabar de uma vez com o conceito dos “setores campeões” e “empresas campeãs”.
  • Atrair capital externo.
  • Adequar a “previdência”.
  • Reduzir a inflação (!).
  • Reduzir a corrupção (!).
  • Resolver a educação (!).
  • Resolver a saúde (!)
  • Aplicar a lei de responsabilidade fiscal.
  • Aumentar a eficácia do compliance no Estado e nos três poderes – níveis Federal, Estadual, Municipal.

Formulemos as perguntas, pela segunda vez –

Quem você escolheria? Quantos você escolheria? Como você organizaria o time? Como presidente, que papel reservaria para si?

“Lucros & Perdas” do Brasil

Reduzir despesas –

  • Reduzir o tamanho do Executivo, Judiciário e Legislativo, em $, nas três esferas – federal, estadual e municipal.
  • Eliminar Ministérios, Secretarias, etc, nas três esferas (…).
  • Sair da operação de setores que o Estado é péssimo gestor, com grande potencial de corrupção.
  • Reduzir, onde possível, o tamanho do Judiciário, Legislativo em $.
  • Eliminar red tapes, que não beneficiam o contribuinte.
  • Não criar despesas novas para as quais não haja receita assegurada.
  • Aumentar a eficácia do compliance no Estado e nos três poderes – níveis Federal, Estadual, Municipal.
  • Reduzir a inflação (!).

    Quem faz o quê
    Quem faz o quê
  • Reduzir os impostos (!).
  • Resolver a educação.
  • Resolver a saúde.
  • Reduzir os executivos Estaduais e Municipais. (número de municípios também ?)
  • Aplicar a lei de responsabilidade fiscal.

Aumentar a receita –

  • Celebrar acordos bilaterais e multilaterais que privilegiem o aumento do PIB.
  • Atrair investidores internacionais.
  • Reduzir a inflação (!).
  • Reduzir os impostos (!).
  • Reduzir a corrupção (!).
  • Resolver a educação (!).
  • Resolver a saúde (!)
  • Eliminar red tapes que retiram energia das atividades de produção de riqueza – TODOS.
  • Simplificar o sistema tributário Federal, Estadual e Municipal.
  • Aplicar, com máximo rigor, mecanismo de compliance nas estatais.
  • Aplicar mecanismos de compliance em todo o Estado.

A prática faz a perfeição, dizem. Portanto, formulemos as perguntas, pela terceira vez –

Quem você escolheria? Quantos você escolheria? Como você organizaria o time? Como presidente, que papel reservaria para si?

“Fluxo de caixa” do Brasil

  • Alongar a dívida, por todos os meios possíveis, junto à comunidade financeira local e internacional.
  • Atrair investimento nacional e internacional.
  • Reduzir os juros.
  • Reduzir a inflação.
  • Reduzir impostos (!).
  • Simplificar o sistema tributário.
  • Mudar o conceito de redistribuição de arrecadação na Federação – níveis Federal, Estadual e Municipal.
  • Gerir os negócios do Estado com “um olho no peixe e outro no gato”.
  • Aplicar, com rigor extremo, a lei de responsabilidade fiscal.

Fico a imaginar a vizinha do Nelson Rodrigues, da janela, gorda e patusca, com olhar inquisitivo, a indagar:

“Meu jovem, – já escolheu?
Quem? Quantos? Quem faz o que?
E você – qual o seu papel?”